quarta-feira, 28 de abril de 2010



O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

ETERNO - (CARLOS DRUMOND DE ANDRADE)


Caiu a madrugada
e com ela a saudade,
mas não era a mesma saudade de todos os dias: não me deixava pensar, apenas sentir o vazio e dentro dele a ardência da dor.

Madrugada fria
no pensamento a sua imagem,
no coração, a dor da saudade,
do meu lado... um espaço vazio.
olhei te desejando alí, mas não sentir nada além do frio da sua ausência.

boba e tola não quis acreditar e sem perder tempo, meus braços foram te buscar, e na frusração de não te encontrar, se apertaram contra o proprio peito...como doeu.
tomada por um sentimento de desespero, eu só desejava te encontrar.

Caminhei até a porta, e olhei pro céu a te procurar, como sempre faço , mas como nessa noite, algo estava diferente...

O céu..
não estava com seu forte azul negro e seu infinito reluzir estrelado...

até mesmo a lua..
não estava lá a me encantar com seu sorriso minguante, novo, crescente ou cheio...
Mas vi, diante de um céu azul, bastante nublado de nuvens cinzas,
duas pequenas estrelas...

por um instante, esperança em vê‐las
embora pequenos e únicas, naquele meu limite visual
eram grandes no seu iluminar.

Mas logo vi a distância entre elas...
e me enfraqueci e me perguntei o que faria duas pequenas estrelas se aproximar uma da outra em meio uma infinta cosntelação onde a cada novo anoitecer, mudam em SENTIDOS CONTRÁRIOS
! ! !


domingo, 21 de março de 2010


Como se pode acreditar que o tempo tem o poder de curar feridas provocadas por alguém a qual amamos (pois feridas só podem ser causadas por elas) ou por alguma situação?
A verdade é que o tempo pode até fazer você esquecer por um momento a ferida causada... mas com certeza ao ver a pessoa que te causou aquela ferida ou qualquer que seja a situação que te faça lembrar, a ferida que está lá dentro do nosso coração
sarada”, cicatrizada” logo se abrirá, latejando e doendo como se fosse feita naquele mesmo instante.
Por isso não se engane, o tempo não tem esse poder.
Se alguém te machucou de tal maneira que você prefere optar pelo tempo que a cure a resolver a situação de uma forma mais concreta, você se machucará ainda mais.
As feridas guardadas e supostamente já
cicatrizadas” pelo tempo vão crescer.

Estudos feitos, comprovaram que doenças encontradas em nosso organismo na sua maioria são provocadas por nós mesmos.
“ todas as doenças tem um estado de não perdão. (...) quando estamos empacados num certo ponto, significa que precisamos perdoar mais, pesar, tristeza, raiva, e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão. perdoar dissolve o ressentimento. piscologa americana louise l. hay.”

iaí?? ainda preferes que o tempo seja o autor de situações mal resolvidas em sua vida? O período que o tempo leva pra
cicatrizar” suas feridas, é o tempo suficiente pra você contrair um câncer e este venha a tirar sua vida.
Antes que isso aconteça, trate de resolver seus relaçionamentos mals resolvidos com uma boa conversa, acompanhada de muita sinceridade, carinho amor, perdão, humildade e sem hesitar passe a ser o autor da sua própria vida e não delegue isso a nenhum outro alguém.

confira mais um pouco sobre tudo isso:
http://livreinformaçoes.wordpress.com

sábado, 13 de março de 2010



quero te encontrar

Parte de mim parece ter se perdido quando encontrei você.. Dói saber onde está o pedaço que me falta, e sinto desespero em não saber como, e principalmente quando vou encontrá‐la...
É tão ruim essa sensação de incapacidade, de querer e não poder...
É quando não aguento mais, e ponho a dor de querer pra fora, em forma de lágrimas que rolam sem cessar pelo meu rosto...

Num olhar carinhoso, Num sorriso espontâneo, Num abraço sincero, Numa brincadeira gostosa, Num beijo apaixonado e na simplicidade verdadeira de um:
EU AMO VOCÊ
!!
É que sinto tanto tua falta.
Sempre vivi a me esconder da dor...
Hoje, vivendo essa situação de dolorosa paixão, mais me parece um sonho, do qual já me decidi...
e não quero acordar, quero viver
‐lo no meu eterno pra sempre.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minha fonte, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim


(Vander Lee)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Carlos Drummond de Andrade