O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Caiu a madrugada
e com ela a saudade,
mas não era a mesma saudade de todos os dias: não me deixava pensar, apenas sentir o vazio e dentro dele a ardência da dor.
Madrugada fria
no pensamento a sua imagem,
no coração, a dor da saudade,
do meu lado... um espaço vazio.
olhei te desejando alí, mas não sentir nada além do frio da sua ausência.
boba e tola não quis acreditar e sem perder tempo, meus braços foram te buscar, e na frusração de não te encontrar, se apertaram contra o proprio peito...como doeu.
tomada por um sentimento de desespero, eu só desejava te encontrar.
Caminhei até a porta, e olhei pro céu a te procurar, como sempre faço , mas como nessa noite, algo estava diferente...
O céu..
não estava com seu forte azul negro e seu infinito reluzir estrelado...
até mesmo a lua..
não estava lá a me encantar com seu sorriso minguante, novo, crescente ou cheio...
Mas vi, diante de um céu azul, bastante nublado de nuvens cinzas,
duas pequenas estrelas...por um instante, esperança em vê‐las
embora pequenos e únicas, naquele meu limite visual
eram grandes no seu iluminar.
Mas logo vi a distância entre elas...
e me enfraqueci e me perguntei o que faria duas pequenas estrelas se aproximar uma da outra em meio uma infinta cosntelação onde a cada novo anoitecer, mudam em SENTIDOS CONTRÁRIOS ! ! !